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A PROCURA DE UM FUTURO PARA A EAD - Por Cassiano Simões



Em 2008 trouxe para mim o desafio da Educação à distância (EAD). Comecei na antiga Fundação Universidade do Tocantins UNITINS, hoje Universidade Estadual do Tocantins. A modalidade tinha sido regulamentada alguns anos antes, em 2005. Em 2009, somente na UNITINS, estimavam-se 300.000 alunos estudando em uma instituição que não contava com um único curso presencial de espelhamento, como era exigido pela legislação da época. Coisa de pioneirismo, de empreendedores que aceitaram pagar o preço dos inevitáveis erros, por um projeto grandioso de popularização da educação superior. Talvez a história do pioneirismo da UNITINS esteja registrada em algum lugar que desconheço.


O Tocantins é um dos mais novos Estados brasileiros, criado com a Constituição de 1988. Fica encravado no centro geográfico do país, entre Maranhão, Amazonas, Pará, Bahia, Mato Grosso e Goiás, de forma a abrigar simultaneamente regiões sertaneja, a leste, amazônica, a norte e noroeste e pantaneira, a sul e sudoeste. Sua colonização teve como base migrantes de Goiás, Pará e Maranhão, além da conhecida diáspora gaúcha. A cidade principal do Estado é a sua capital, Palmas, que dista aproximadamente 1.000 km da metrópole mais próxima, que é Brasília. Como se pode imaginar, é uma realidade de pequenos centros urbanos em meio a um gigantismo rural, em que tudo é muito distante.


Atrevo dizer que neste local nasceu a EAD massiva brasileira. Diversos projetos menores já se desenhavam então, mas o Tocantins era um ambiente propício à proliferação de polos de apoio presenciais. De outra forma, aquelas incontáveis comunidades rurais levariam anos para ter cursos superiores, que dirá uma universidade presencial.

Em algumas visitas que fiz para conhecer polos interiorizados, viajava muito para chegar a locais pequenos, de pouca infraestrutura, onde os professores eram recebidos como verdadeiros “pop stars” televisivos. Enquanto estive por lá, fiquei com a sensação de que estava vivenciando algo histórico, ajudando a empurrar a educação superior para limites cada vez maiores. Desde aqueles tempos, aldeias indígenas, comunidades quilombolas e povoados ribeirinhos têm acesso a cursos superiores, em um genuíno processo de democratização deste tipo de formação.


Atuar na Educação a Distância no Tocantins mudou a minha vida. Humanista, encontrei ali uma nova proposta, um novo sentido para a educação que sempre defendi. Nestes dias de 2020, a EAD encontra-se grande, já, mas ainda imatura. Instituições enormes brigam por fatias de mercado, resignadas com suas medianas qualidades.


A educação presencial não voltará a ser como antes, ao incorporar irrevogavelmente as metodologias remotas. E a EAD ainda precisa, a bem da verdade, buscar suas origens de inclusão e democratização. E isso quer dizer que a história da modalidade ainda está sendo contada.


Um novo ambiente socioeconômico pós-pandemia vai revelar o futuro da educação no Brasil e no mundo. Observar e interagir com estas mudanças será tarefa estimulante e determinante. As crises amadurecem as pessoas e a sociedade. Essa de hoje vai fazer amadurecer, também.


________________________________________________ Cassiano Ferreira Simões é professor universitário, avaliador de cursos e gestor educacional há 24 anos. Atua há 12 anos na Educação a Distância. Recentemente, desde 2013, como diretor geral da Sociedade Educacional Litoral Norte Fluminense Ltda., mais conhecida por ser um polo de apoio presencial da UNIP – Universidade Paulista.




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